
UM PROJECTO FARPAS TEATRO
EM COLABORAÇÃO COM ANA MIRA (DANÇA CONTEMPORÂNEA)
E LOURENÇO DE AZEVEDO (CHI KUNG - DA CHENG CHUAN)
as datas: 9, 10 e 11 Junho
os workshops:
Correndo sem retorno, os rios são seres secretíssimos supremamente metamorfoseáveis.
Maria Filomena Molder
Numa forma elevada de contemplação da paisagem, os movimentos surgem com afinidade ao caminhar, ao caminhando. É na indeterminação do lugar onde se quer chegar e na impossibilidade de traçar um limite preciso, que exploramos os movimentos do corpo, também ele metamorfoseável, consoante o areal, o rio, o mar, as dunas, o recouvo.
De manhã a exploração centra-se na escuta do corpo aquando o seu despertar, o chi kung e movimentos desta fase ligam o corpo a si e à paisagem. À tarde a pesquisa desenvolve-se na relação do corpo com o ambiente em diferentes espaços na areia ou no mar. No crepúsculo retornamos ao centro com o Chi Kung.
Chi Kung
Das dinâmicas infinitas que observamos no universo, estas podem ser resumidas a dois movimentos primordiais a expansão e a contracção, nas estações nos dias, nos corpos e em todas as células do nosso ser. Longe de ser uma disciplina teórica o Chi Kung ensina ao corpo a reconhecer estas duas forças opostas mas complementares, pelos caminhos da postura da respiração e da intenção. Passo a passo.
Movimentos
As paisagens são espaços transitórios que se vão objectivando durante a exploração de movimento e uma possível abordagem à composição em dança. Partem de imagens, ou seja, sensações perceptíveis no tempo que surgem na permeável relação corpo-atmosfera. É muito sobre a visão - a visão da pele, da escuta. De certas zonas de intensidade do corpo ou densidade do ar revelam-se movimentos com uma certa duração. Um método-partitura introduz cartografias de aproximação e vivência (nas paisagens), onde se agenciam territórios existenciais habitáveis.
Participantes:
- Carlos (organização, Farpas Teatro)
- João (organização, Farpas Teatro)
- Ana (formação corpo, movimento, dança)
- Lourenço (formação chi kung)
- Luisa
- Vanessa
- Raimundo
- Teresa
- Natacha
- Elena
- Lucia
- Agostin
"O fenómeno não se afasta do obervador. Pelo contrário, está assimilado e enredado na individualidade do observador."
GOETHE, Máximas e Reflexões, Relógio D'Água, p.130.
“O que é que significa compreender uma imagem, um desenho? Aqui também há compreender e não compreender. E estas expressões podem ter diversos sentidos. A imagem é, talvez, como uma vida-silenciosa (1); mas há uma parte que eu não compreendo: não sou capaz de ver nela um corpo, só vejo manchas de cor na tela. - Ou vejo como sendo corpos mas na verdade são objectos que eu não conheço (parecem ser instrumentos, mas não conheço o seu uso). – mas também talvez conheça os objectos mas não compreenda – a sua disposição.”
WITTGENSTEIN, Ludwing, Tratado Lógico-Filosófico * Investigações Filosóficas, Edição Fundação Calouste Gulbenkian, 3ª Edição, Tradução e Prefácio de M. S. Lourenço, Lisboa, 2002.
HÁ PALAVRAS QUE NOS BEIJAM
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
Alexandre O'Neill (1924-1986)
Poesias Completa
Olhar não muda o mundo, apenas faz decobrir quem somos.
raimundo gomes, 06 I 06 I 2006.
Voar é um abrir de uma porta desconhecida. O chão do presente desparece e o movimento de cair no incerto do futuro, destrói as correntes do passado.
Perdemos o tempo, mas gahamos um espaço.....
raimundo gomes, 18 I 05 I 2006.
"Ninguém sabe se a falta de fim de tudo é por andar sempre para a frente para onde nunca se chega, ou por andar sempre à roda para onde não há onde chegar"
PESSOA, Fernando, A Hora do Diabo, Assírio & Alvim, Lisboa, 1997, p.57.
"Acerca daquilo de que se não pode falar, tem que se ficar em silêncio."
WITTGENSTEIN, Ludwing, Tratado Lógico-Filosófico; Investigações Filosóficas, Edição: Findação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2002, p.142.
Fazer silêncio como quem rouba espaço ao tempo.... O tecido das horas rasga-se e decobrimos que só na intimidade é que se consegue ver.
raimundo gomes, 10 I 04 I 2006.
Qual é o espaço que nos ouve, o preenchido ou o vazio?
raimundo gomes, 19 I 04 I 2006.
"(...) para desenhar a linha da fronteira do pensamento deveríamos ser capazes de pensar ambos os lados da linha (...)."
WITTGENSTEIN, Ludwing, Tratado Lógico-Filosófico; Investigações Filosóficas, Edição: Findação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2002, p.27.
Não sei se caminho ou se os passos que ouço são daquilo que me rodeia.
Os sentidos têm pernas e às vezes não sei para que servem as pernas do meu corpo.
raimundo gomes, 15 I 04 I 2006.
"Profundidade
Uma ideia profunda é uma ideia ou uma observação que transforma em profundidade a pergunta ou a situação concreta.
Se aasim não fosse, tratar-se-ia de um efeito de ressonância e estaríamos a penetrar no âmbito do literário."
VALÉRY, Paul, Apontamentos, Arte, Literatura, Política & Outros, editora pregaminho, p.31.
É na sombra que vemos a profundidade dos espaços.
raimundo gomes, 15 I 04 I 2006.
"Só as pessoas que nada sabem criar acreditam que nada existe."
GOETHE, Máximas e Reflexões.
"Podemos perdoar um homem que faça uma coisa útil desde qua não a admire. A única desculpa para fazer uma coisa inútil é ser objecto de intensa admiração.
Toda a arte é perfeitamente inútil."
WILDE, Oscar, O Retrato de Dorian Gray.

Estação de autocarros, Cáceres - Espanha.
Arqº Justo García Rubio, foto_2.

Estação de autocarros, Cáceres - Espanha.
Arqº Justo García Rubio, foto_1.
"Não faço nada em menos de
três semanas e gosto de voltar
três vezes aos mesmos sítios.
Há duas coisas: o que eu digo ao
lugar e o que ele me diz a mim.
Isto quer dizer que há dois tipos
de potencialidades: as que estão
dentro de mim e as que estão fora
de mim. É quando elas se encontram
que há uma possibilidade
de fotografia."
"Acho que não há receitas nem
regras. Na Checoslováquia, uma
amiga perguntou-me o que tinha
que fazer para se tornar uma boa
fotógrafa. Eu disse-lhe para comprar
um bom par de sapatos."
Josef Koudelka, fotojornalista em entrevista ao jornal Público, 30-01-05.
Só o corpo retira o desaparcer do voar!
raimundo gomes, I 07 I 2005.