Acho muito bonito construir um edifício e pensá-lo a partir do silêncio.
ZUMTHOR, Peter, Atmosferas, Editorial Gustavo Gili, SA, Barcelona, 2006, p. 31.
terça-feira, janeiro 02, 2007
O que considero o primeiro e maior segredo da arquitectura, é que consegue juntar as coisas do mundo, os materiais do mundo e criar este espaço. Porque para mim é como uma anatomia. é verdade, como o conceito do corpo quase literalmente. Tal como nós temos o nosso corpo com uma anatomia e coisas que não se vêem e uma pele... etc., assim funciona também a arquitectura e assim tento pensá-la. Corporalmente como uma massa, como membrana, como tecido ou invólucro, pano, veludo, seda, tudo o que me rodeia. O Corpo! Não a ideia do corpo - o corpo! Que me pode tocar.
ZUMTHOR, Peter, Atmosferas, Editorial Gustavo Gili, SA, Barcelona, 2006, p. 23.
ZUMTHOR, Peter, Atmosferas, Editorial Gustavo Gili, SA, Barcelona, 2006, p. 23.
sábado, dezembro 16, 2006
Pessoalmente gosto da ideia de projectar e construir casas, das quais me retiro como projectista no fim do processo de construção e onde deixo uma obra que é ela própria , que serve para a habitação como parte do mundo das coisas, que se sai bem sem a minha retórica pessoal
ZUMTHOR, Peter, Pensar a Arquitectura, Editorial Gustavo Gili, SA, Barcelona, 2005, p. 30.
ZUMTHOR, Peter, Pensar a Arquitectura, Editorial Gustavo Gili, SA, Barcelona, 2005, p. 30.
quarta-feira, setembro 06, 2006
segunda-feira, agosto 14, 2006
“(…)”Vou contar-te a história de um poeta do começo do século. Estava muito velho e era o secretário que o levava a passear. Um dia este disse-lhe: Levante a cabeça, Mestre, e veja! Olhe o primeiro aeroplano a passar por cima da cidade! – Posso muito bem imaginá-lo, replicou o Mestre.”
KUNDERA, Milan, A insustentável leveza do ser, Publicações Dom Quixote, 27º edição, Lisboa, 2005, p.102.
KUNDERA, Milan, A insustentável leveza do ser, Publicações Dom Quixote, 27º edição, Lisboa, 2005, p.102.
sexta-feira, julho 28, 2006
GEGO I desafiando estruturas
Museu de Serralves I 28 jul a 15 out 2006
"Só com metal posso transportar aquilo que é transparente, e isso inclui o espaço em volta da escultura, a fim de o o incorporar na propria obra."
Gego

As esculturas e desenhos de Gego são mãos de arame, que com a sua delicadeza e flexibilidade abraçam o espaço vazio, e dão legibilidade ao palco onde acontece a mais infinita das danças.
raimundo gomes I 07 I 2006
"Só com metal posso transportar aquilo que é transparente, e isso inclui o espaço em volta da escultura, a fim de o o incorporar na propria obra."
Gego

As esculturas e desenhos de Gego são mãos de arame, que com a sua delicadeza e flexibilidade abraçam o espaço vazio, e dão legibilidade ao palco onde acontece a mais infinita das danças.
raimundo gomes I 07 I 2006
quarta-feira, julho 26, 2006
A Concha
A minha casa é concha. Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fachada de marés, a sonho e lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.
Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos
E telhados de vidro e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
Lareira aberta ao vento, as salas frias.
A minha casa… Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentando numa pedra de memória.
Vitorino Nemésio in “Bicho Harmonioso”
Um abraço de agradecimento ao meu amigo António Brás, que teve a gentileza de enviar-me este poema.
Segreguei-a de mim com paciência:
Fachada de marés, a sonho e lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.
Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos
E telhados de vidro e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
Lareira aberta ao vento, as salas frias.
A minha casa… Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentando numa pedra de memória.
Vitorino Nemésio in “Bicho Harmonioso”
Um abraço de agradecimento ao meu amigo António Brás, que teve a gentileza de enviar-me este poema.
domingo, julho 23, 2006
terça-feira, julho 18, 2006
Só se existe uma vez.
Entro no palco. Sou um actor cuja peça que queria ter ensaiado, não ensaiei.
Estou no palco e apenas sinto o que não sei. O peso deste fardo devia-me paralisar, mas deixa-me leve.
Os olhares dos espectadores possuem uma força e pela primeira vez percebo-a. São agora os braços que dão forma e movimento aos meus braços.
A satisfação das palmas esmaga a sala. Após ter perdido o meu ego e o meu corpo se ter esvaziado, sinto o cheio da ausência. Larguei as minhas próprias mãos e senti-me abraçado.
Perdi a memoria até do presente. Compreendo que só se pode ser actor uma vez, que só se existe uma vez.
raimundo gomes I 2006
Estou no palco e apenas sinto o que não sei. O peso deste fardo devia-me paralisar, mas deixa-me leve.
Os olhares dos espectadores possuem uma força e pela primeira vez percebo-a. São agora os braços que dão forma e movimento aos meus braços.
A satisfação das palmas esmaga a sala. Após ter perdido o meu ego e o meu corpo se ter esvaziado, sinto o cheio da ausência. Larguei as minhas próprias mãos e senti-me abraçado.
Perdi a memoria até do presente. Compreendo que só se pode ser actor uma vez, que só se existe uma vez.
raimundo gomes I 2006
sábado, julho 15, 2006
Poética (I)
De manhã escureço
De dia Tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.
A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.
Outros que contem
Passo por passo
Eu morro ontem.
Nasço amanhã
Ando onde há espaço
- Meu tempo é quando.
DE MORAES, Vinicius, O Operário em Construção, Publicações Dom Quixote, Selecção e Prefácio de Alexandre O´Neill, Lisboa, 2001, p.126.
De dia Tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.
A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.
Outros que contem
Passo por passo
Eu morro ontem.
Nasço amanhã
Ando onde há espaço
- Meu tempo é quando.
DE MORAES, Vinicius, O Operário em Construção, Publicações Dom Quixote, Selecção e Prefácio de Alexandre O´Neill, Lisboa, 2001, p.126.
terça-feira, julho 04, 2006
domingo, julho 02, 2006
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