quinta-feira, setembro 16, 2010

"Carne e píxeis sobre tela" Crítica Ípsilon por: Luísa Roubaud

  • ípslon

  • Is You Me (Torres Novas)
  • Coreógrafo: Benoît Lachambre (criação conjunta), Louise Lecavalier (criação conjunta), Laurent Goldring (criação conjunta), Hahn Rowe (criação conjunta)
  • M/12. Festival Materiais Diversos.

Criação conjunta de Benoît Lachambre, Louise Lecavalier, Laurent Goldring e Hahn Rowe.

Alguma expectativa envolvia o reencontro (depois do solo "I" Is
Memory, 2006) destes dois criadores-intérpretes canadianos de nomeada, com percursos na dança muito distintos. A indómita e carismática Louise Lecavalier (n. 1958), ícone da dança dos anos 80/90, é considerada uma das mais fulgurantes e trágicas bailarinas da nossa época. A sua energia acrobática deixaria famosos os barrel jumps (aparatosos tour en l"air na horizontal), imagem de marca da companhia La La La Human Steps, e combinava na perfeição com a atmosfera urbana do repertório daqueles anos; Benoît Lachambre (n. 1960; Forgeries, Love and Other Matters, de e com Meg Stuart, Culturgest, 2005), orientou-se para as release e somatic techniques, e a pesquisa interdisciplinar; a improvisação norteia o trabalho que desenvolve na estrutura Par B.L.eux, desde 1996. À dupla juntou-se o artista visual L. Goldring (n. 1957) e o compositor H. Rowe (n. 1961); Is You... resulta numa espécie de jam de improvisação-contacto multimédia. Um ciclorama branco ao fundo da cena era a tela vazia onde, a partir de um software de desenho, um projector construía o espaço cénico com linhas e formas geométricas animadas, e um registo monocromático cedia lugar a cores plenas. Música electrónica, sons do trânsito, vozes, canto de cigarras samplados compunham a paisagem sonora. Louise e Benoît, corpos sobre a tela digitalmente maquilhados, num dueto sem identidade nem género, encapuzadas sob indumentária casual, ora negra, ora colorida, eram personagens gráficas, dissolvidas numa geometria em movimento; irrompiam, ocasionalmente, como organismos vivos (por vezes répteis ou aves; outras quase humanos). Nos momentos mais curiosos, dançavam com as linhas de desenho, pareciam seguir ou produzir a sua dinâmica, subvertendo o pressuposto de que o corpo em dança reage sobretudo à música ou som. O exercício proposto não é, porém, sempre resolvido com clareza: entre a matéria orgânica dos corpos e a projecção gráfica quasi-animista, permanece uma zona de conflito. Uma tensão entre a abstracção e representação - interessante, mas nem sempre produtiva - interfere com a pura fruição perceptiva mas também com o chamamento de outras associações mentais; e suscita, amiúde, a tomada de consciência acerca dos momentos de confluência - e de deriva - decorrentes de uma improvisação multimédia a quatro mãos. A exploração da dimensão "não-utilitária" da tecnologia digital na performance tem, nas últimas décadas, criado novos universos plásticos, poéticos e temáticos que, reflectindo a mudança estatuto do corpo no mundo actual, exploram a conectividade da arte aos tempos que correm. Este corpo "pós-humano" conhece, contudo, uma genealogia antiga, com a pré-história em Loie Fuller (1862-1928), num arco que atravessa o século XX e desemboca nas experimentações de Cunnigham, Y. Rainer, nos sixties judsonianos, na body art, nos corpos cyborg, etc. Is you me... actualiza aspectos debatidos desde os anos 50-70, baseando-os, agora, na interactividade digital: a acessibilidade do gesto, a efemeridade da performance, o acaso, o valor do processo face ao produto, são aproximações metafóricas da própria vida. Um controlo técnico irrepreensível não impede, todavia, a peça de resultar mais visual que conceptual; outros questionamentos dissipam-se num jogo das interacções digitais, ficando a ideia de que tanto haveria por onde subtrair como por onde adicionar.


domingo, setembro 05, 2010

Encontros Internacionais de Música 2010 | CCVF - Centro Cultural de Vila Flor



Continuam abertas as inscrições para os Encontros Internacionais de Música de Guimarães que este ano se realizam de 30 de Agosto a 11 de Setembro, no Centro Cultural Vila Flor. A edição de 2010 contará novamente com a participação de professores de renome internacional e de mérito inquestionável.
Em Setembro, o Centro Cultural Vila Flor volta a ser um espaço privilegiado para a celebração da música erudita. Através da junção da componente formativa e da apresentação de recitais, os Encontros Internacionais de Música de Guimarães potenciam encontros, proporcionam interacções, dão espaço à criatividade e ao aperfeiçoamento, dão “palco” a jovens e promissores músicos que, em conjunto com artistas e pedagogos de craveira internacional, têm a oportunidade de mostrar o seu talento. A direcção artística do evento está a cargo do Prof. António Saiote.
Estimados jovens músicos, bem-vindos mais uma vez a Guimarães. Este ano, temos o grato prazer de saudar a integração da insigne Academia Valentim Moreira de Sá na organização dos Encontros Internacionais de Música de Guimarães. Que aproveitem o excelente espaço do Centro Cultural Vila Flor e a disponibilidade da sua excelente equipa, são os nossos votos. Como é tradição, além dos magníficos professores convidados e dos pianistas que apoiarão as suas classes, teremos a presença do vice-director do Sistema Venezuelano de Orquestras Juvenis o que representa uma perspectiva de cooperação frutuosa no futuro. Resta-me saudar a Oficina e o Convívio pela colaboração que nos tem prestado e pelo empenho e dedicação demonstrados. António Saiote

MASTERCLASSES - 02 a 04 de Setembro
Professores Nível Superior
Pascal Gallois - Fagote

MASTERCLASSES - 06 a 10 de Setembro
Professores Nível Superior
Michael Cox - Flauta
António Saiote - Música de Câmara e Interpretação Musical
MASTERCLASSES - 07 a 10 de Setembro
Professores de Nível Superior
Omar Zoboli - Oboé
Professores Acompanhadores
Alexei Eremine, Anna Tomasik-Michalczik, Elsa Silva e Michiko Tsuda
As inscrições poderão ser efectuadas no Centro Cultural Vila Flor ou neste site através do preenchimento do formulário disponível online. As condições gerais de participação nos Encontros Internacionais de Música de Guimarães encontram-se disponíveis no final desta página, no ficheiro em PDF.

Encontros Internacionais de Música 2010 | CCVF - Centro Cultural de Vila Flor

sábado, setembro 04, 2010

Às voltas no mundo de Sofia


"É um filme sobre o vazio. Sobre gente no limbo à procura do seu lugar na vida.Somewhere anda às voltas sem sair do mesmo sítio - tal como Sofia Coppola. E isso, neste caso, é bom



Sofia Coppola está habituada ao escrutínio dos holofotes - como se não bastasse ser filha de quem é, quem assina Lost in Translation - o Amor é um Lugar Estranho, um dos primeiros filmes seminais do século XXI, ergue inescapavelmente as expectativas a uma fasquia difícil de manter.

Daí que, quatro anos depois de uma
Marie Antoinette que dividiu as águas e levou alguns a chamarem-lhe mulher de um só filme, o primeiro frisson inevitável da competição do Festival de Cinema de Veneza seja Somewhere.

O filme foi acolhido calorosamente - a idiossincrasia de
Marie Antoinette foi perdoada, mesmo que não reencontremos aqui a inspiração do sublime Lost in Translation, mesmo que este filme que se diz ser o "mais pessoal" da filha Coppola seja no fundo mais uma variação sobre o seu tema habitual: gente no limbo à procura do seu lugar na vida.

Mas chegará isso para recuperar o estatuto?

Não sabemos. Apesar dos aplausos que receberam o filme na projecção de imprensa, estamos mesmo a ver muita gente a resmungar que
Somewhere é mais um filme de menina rica sobre meninos ricos que não sabem o que fazer na vida.

É verdade. Lembrámo-nos, a certa altura, do episódio que Sofia escreveu para a
História de Nova Iorque do pai Francis, há vinte anos, sobre uma menina rica que vive num hotel - e Johnny Marco, o actor desenraizado interpretado por Stephen Dorff que é o centro de Somewhere, vive no lendário Chateau Marmont de Los Angeles.

Lembrámo-nos, também, de Marie Antoinette, menina rica perdida num mundo que não dominava - e Johnny também está perdido, na cerveja, nas noitadas, no tabaco, no sexo fácil a toda a hora, nas
lap dances ao domicílio, no superluxo dos hotéis e do tratamento VIP. Que não são "substitutos" de nada mas apenas maneiras de preencher o vazio.

Mas o que Sofia faz tão bem é precisamente fazer-nos sentir o vazio - viver o vazio. Dentro desta fachada de luxo não há nada e é preciso que haja alguma coisa, quanto mais não seja por Cleo, a filha adolescente que visita Johnny de vez em quando e acaba por lhe mostrar, imperceptivelmente, o que lhe falta.

E é preciso estar com atenção para ver o que falta.
Somewhere é um filme de pormenores subterrâneos, planos longos e cores queimadas (rodadas e projectadas em película - o director de fotografia é Harris Savides, que assina aqui um segundo belo trabalho de Los Angeles em filme depois do Greenberg de Noah Baumbach). É o filme mais despojado, mais austero, mais "vazio" de Sofia - e esse despojamento é o exacto oposto da máquina da fama que Somewhere retrata com um misto impiedoso de melancolia e humor que fere onde dói mas que não julga. Contudo, o próprio filme presta-se a essa máquina, ao estar a concurso num festival tão mediaticamente VIP como Veneza.

A ironia não se perde: ao nosso lado na projecção está uma jornalista italiana louríssima, impecavelmente produzida, que logo antes do filme começar pega no espelho para ver como está o cabelo, bufa aborrecida um par de vezes ao longo do filme e, assim que as luzes sobem, saca da bolsa para retocar a maquilhagem.

Há, evidentemente, algo de rebelde num filme que morde (mesmo que gentilmente) a mão que lhe dá de comer, de menina rica que se queixa sobre como é chato ser uma menina rica. Mas são essas contradições que alimentam a tensão do cinema de Sofia e, sobretudo, de
Somewhere.

E, como em todos os filmes de Sofia, é nesse vazio onde nada parece acontecer que tudo acontece - por camadas, por acumulação de pequenos nadas que constroem uma história pontilhista.

É legítimo perguntar: estaríamos a prestar tanta atenção a
Somewhere se fosse outra pessoa (digamos, Vincent Gallo) a realizá-lo? Gostaríamos tanto? É uma pergunta sem resposta. Mas pensá-lo implica que Sofia é uma menina rica que só filma por ser filha de quem é. E o que faz de Somewhere um bom filme é precisamente isso: ninguém filma o vazio do sucesso como alguém que o conhece de dentro para fora. Alguém como Sofia Coppola. Ninguém filma o vazio do sucesso como alguém que o conhece de dentro para fora. Alguém como Sofia Coppola (à esquerda, imagem de uma das cenas de Somewhere)"


QL: Guimarães 2012 - Capital Europeia da Cultura

QL: Guimarães 2012 - Capital Europeia da Cultura

domingo, maio 18, 2008

"Tocar a Leveza"


"Uma rapariga tenta tocar uma medusa-de-lua (Aurelia aurita) no Aquário internacional Sunshine, em Tóquio, no Japão... Foto: Toru Hanai / Reuters"

jornal público website 18 maio de 2008

terça-feira, maio 13, 2008

"Graham Greene enganou-se, as criaturas que ele diz que não existem, existem de facto: somos nós. Habitamos o Monte de Vendavais, a Guerra e Paz, as meninas de Velásquez, os trios de Beethoven, o Danúbio Azul, e ao habitar o imenso país que essas obras são vencemos o tempo e tornamo-nos imortais."

ANTUNES, António Lobo Antunes, revista visão, 8 de Maio de 2008

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Trisha Brown na bélgica


Trisha Brown Dance Company, 19 -21 Março, deSingel, Bélgica


Foray Forêt (1990), How Long... (2005), I Love my Robots (2007)


"Trisha Brown is a living legend. In the 1960s, together with other like-minded artists in New York, she set out the boundaries of 'modern dance'. She experimented by dancing in alternative locations such as on roofs and walls. In the meantime, she has reached the age of seventy yet she still continues to surprise. You get to see three choreographed performances, the last of which is still being created at the time of writing. In 'I love my robots' you can see how the moving sculptures by the Japanese artist Kujiro Okazaki interact with the dancers. A fantastic work, fresh and funny, with a Japanese touch! In Foray Forêt, a real fanfare starts up. In the masterpiece 'how long does the subject linger on the edge of the volume', dance, music and graphic elements are integrated into a single whole via the computer. Always innovative, always dancing, full of spirit: Trisha Brown!"

in www.desingel.be

O CORPO E A CRIAÇÃO DE IMAGENS

Workshops

Forum Dança

Ciclo Novas Tendências nas Artes
Performativas

Ana Mira
Preço: 25€
Inscrições: 21 342 89 85 ou forumdanca@forumdanca.pt
Datas
09 e 10 Fevereiro 2008
Sábado 14h00 - 18h00
Domingo 10h00 - 13h00 e 14h00 - 17h00

Descrição


O CORPO E A CRIAÇÃO DE IMAGENS — composição coreográfica
The sensation is the image. It's what dancing is to me. (Lisa
Nelson)
Nestas sessões pretende-se chegar à composição coreográfica
através da partilha de alguns conceitos filosóficos e de uma
exploração a nível da percepção do movimento. Entre outros
conceitos encontram-se imagem-corpo (Paul Schilder),
pré-movimento (Hubert Godard), diagrama (Gille Deleuze),
espaço do corpo (José Gil), consciência-atenta (Steve Paxton). A
percepção do movimento é explorada através de uma série de
propostas práticas que incidem sobre a escuta e,
consequentemente, a ampliação de pequenos movimentos e
percepções. Neste processo as sensações são aquilo que sentimos
estar a acontecer em determinado momento e elas podem
tornar-se imagens quando percebemos que as estamos a
observar. Estas imagens têm uma certa duração, elas formam um
acontecimento.

Ana Mira

Ana Mira fez formação em dança no Forum Dança e no C.E.M.,
em Lisboa, e participou em workshops em Portugal e no
estrangeiro (destaca o trabalho com Lisa Nelson e Steve Paxton).
Residiu em Amesterdão onde desenvolveu Program of Study and
Research /Dance sob orientação de Pauline de Groot e Russell
Dumas (AUST), com uma bolsa de investigação do GRIC/MC
(2001/2003). É licenciada em Animação Sociocultural.
Presentemente, termina a dissertação "A, B, C, D, E, F, G" de
Russell Dumas — Séries de Movimento no âmbito do Mestrado
em Estética, Filosofia da U.N.L. Trabalha pontualmente com o
coreógrafo Russell Dumas em França. Na criação coreográfica
destaca as peças mais recentes Dueto (2006) e Três estudos para
Shihtao (2007), estreadas em Lisboa. Paralelamente, dedica-se
ao ensino de dança contemporânea em instituições como Forum
Dança, C.E.M., ESTAL, entre outras.
"Mesmo movendo-me, fico."

ANTUNES, António Lobo, revista Visão, 31 de janeiro de 2008

quarta-feira, julho 11, 2007

o peso de uma voz


De olhos fechados, fala-nos de profundidade e olha para o mundo com as mãos a agarrar o chão.

A terra quente mistura-se com a força das pedras e o peso de uma voz leva-nos ao lugar leve dos pássaros.



Raimundo gomes I largo de S. Gonçalo Amarante ao ouvir ANA MOURA
08 I 07 I 2007

domingo, março 25, 2007

Bill T. Jones em Serralves


Bill T. Jones e a sua companhia de dança, vão estar no auditório de Serralves dia 2 de Maio, com a peça"Blauvelt Moutain (A Fiction)".

Partir é morrer um pouco

A morte é uma viagem e uma viagem e a viagem é uma morte. Partir é morrer um pouco. Morrer é verdadeiramente partir, e só se parte bem, corajosamente, nitidamente, quando se segue o fluir da água, a corrente do largo rio.

Gaston Bachelard, A água e os sonhos

terça-feira, janeiro 02, 2007

Acho muito bonito construir um edifício e pensá-lo a partir do silêncio.


ZUMTHOR, Peter, Atmosferas, Editorial Gustavo Gili, SA, Barcelona, 2006, p. 31.
O que considero o primeiro e maior segredo da arquitectura, é que consegue juntar as coisas do mundo, os materiais do mundo e criar este espaço. Porque para mim é como uma anatomia. é verdade, como o conceito do corpo quase literalmente. Tal como nós temos o nosso corpo com uma anatomia e coisas que não se vêem e uma pele... etc., assim funciona também a arquitectura e assim tento pensá-la. Corporalmente como uma massa, como membrana, como tecido ou invólucro, pano, veludo, seda, tudo o que me rodeia. O Corpo! Não a ideia do corpo - o corpo! Que me pode tocar.

ZUMTHOR, Peter, Atmosferas, Editorial Gustavo Gili, SA, Barcelona, 2006, p. 23.
A qualidade arquitectónica - para mim - não significa aparecer nos guias arquitectónicos ou na história da arquitectura ou ser publicado etc... Qualidade arquitectónica só pode significar que sou tocado por uma obra.

ZUMTHOR, Peter, Atmosferas, Editorial Gustavo Gili, SA, Barcelona, 2006, p. 11.

sábado, dezembro 16, 2006

Sapataria Vip I lousada I 2006

ARQUITECTURA I raimundogomesarquitecto








A realidade da arquitectura é o concreto, o que se tornou forma, massa e espaço, o seu corpo. Não existe nenhuma ideia, excepto nas coisas.

ZUMTHOR, Peter, Pensar a Arquitectura, Editorial Gustavo Gili, SA, Barcelona, 2005, p. 32.
Pessoalmente gosto da ideia de projectar e construir casas, das quais me retiro como projectista no fim do processo de construção e onde deixo uma obra que é ela própria , que serve para a habitação como parte do mundo das coisas, que se sai bem sem a minha retórica pessoal

ZUMTHOR, Peter, Pensar a Arquitectura, Editorial Gustavo Gili, SA, Barcelona, 2005, p. 30.
O que o eu tem de único encontra-se precisamente naquilo que o ser humano tem de inimaginável.

KUNDERA, Milan, A insustentável leveza do ser, Publicações Dom Quixote, 27º edição, Lisboa, 2005, p.228.

quarta-feira, setembro 06, 2006

"Deixem-nos ser conscientemente arquitectos imaginativos!"

Bruno Taut

Filarmónica de Berlim (1956-1963)

Arquitecto: Hans Scharum






"O género humano está ligado e em dívida par com o tempo e espaço em continua mudança, uma vez que os criamos e somos simultaneamente determinados por ambos; assim, o espaço em que vivemos é - no significado e na issência - não da natureza estática, mas sim dinámica"

Hans Scharoun

segunda-feira, agosto 14, 2006

“(…) a beleza é um mundo traído. Só podemos encontrá-la quando aqueles que a perseguem a deixam por engano num sítio qualquer.”

KUNDERA, Milan, A insustentável leveza do ser, Publicações Dom Quixote, 27º edição, Lisboa, 2005, p.130.

“(…)”Vou contar-te a história de um poeta do começo do século. Estava muito velho e era o secretário que o levava a passear. Um dia este disse-lhe: Levante a cabeça, Mestre, e veja! Olhe o primeiro aeroplano a passar por cima da cidade! – Posso muito bem imaginá-lo, replicou o Mestre.”

KUNDERA, Milan, A insustentável leveza do ser, Publicações Dom Quixote, 27º edição, Lisboa, 2005, p.102.

sexta-feira, julho 28, 2006

GEGO I desafiando estruturas

Museu de Serralves I 28 jul a 15 out 2006

"Só com metal posso transportar aquilo que é transparente, e isso inclui o espaço em volta da escultura, a fim de o o incorporar na propria obra."
Gego


As esculturas e desenhos de Gego são mãos de arame, que com a sua delicadeza e flexibilidade abraçam o espaço vazio, e dão legibilidade ao palco onde acontece a mais infinita das danças.

raimundo gomes I 07 I 2006

quarta-feira, julho 26, 2006

A Concha

A minha casa é concha. Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fachada de marés, a sonho e lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.

Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos

E telhados de vidro e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
Lareira aberta ao vento, as salas frias.

A minha casa… Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentando numa pedra de memória.

Vitorino Nemésio in “Bicho Harmonioso”

Um abraço de agradecimento ao meu amigo António Brás, que teve a gentileza de enviar-me este poema.

terça-feira, julho 18, 2006

Só se existe uma vez.

Entro no palco. Sou um actor cuja peça que queria ter ensaiado, não ensaiei.

Estou no palco e apenas sinto o que não sei. O peso deste fardo devia-me paralisar, mas deixa-me leve.

Os olhares dos espectadores possuem uma força e pela primeira vez percebo-a. São agora os braços que dão forma e movimento aos meus braços.

A satisfação das palmas esmaga a sala. Após ter perdido o meu ego e o meu corpo se ter esvaziado, sinto o cheio da ausência. Larguei as minhas próprias mãos e senti-me abraçado.

Perdi a memoria até do presente. Compreendo que só se pode ser actor uma vez, que só se existe uma vez.


raimundo gomes I 2006

Não poder viver se não uma vida é pura e simplesmente como não viver.

KUNDERA, Milan, A insustentável leveza do ser, Publicações Dom Quixote, 27º edição, Lisboa, 2005, p.17

sábado, julho 15, 2006

Poética (I)

De manhã escureço
De dia Tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo
Eu morro ontem.

Nasço amanhã
Ando onde há espaço
- Meu tempo é quando.

DE MORAES, Vinicius, O Operário em Construção, Publicações Dom Quixote, Selecção e Prefácio de Alexandre O´Neill, Lisboa, 2001, p.126.

domingo, julho 02, 2006

A Experiência do Lugar II


Helena Almeida, A Experiência do Lugar II, 2004, videostill.

ROSTO (às vezes o meu)

raimundo gomes I 2003

ARTE POÉTICA

Olhar o rio que é de tempo e água
E recordar que o tempo é outro rio,
Saber que nos perdemos como o rio
E que os rostos passam como a água.

Sentir que a vigília é outro sono
Que sonha não sonhar e que a morte
Que teme a nossa carne é essa morte
De cada noite, que se chama sono.

Ver no dia ou até no ano um símbolo
Quer dos dias do homem quer dos anos,
Converter a perseguição dos anos
Numa música, um rumor e um símbolo,

Ver só na morte o sono, no ocaso
Um triste ouro, assim é a poesia
Que é imortal e pobre. A poesia
Volta como a aurora e o ocaso

Às vezes certas tardes uma cara
Olha-nos do mais fundo dum espelho;
A arte deve ser como esse espelho
Que nos revela a nossa própria cara.

Contam que Ulisses, farto de prodígios
Chorou de amor ao divisar a Ítaca
Verde e humilde. A arte é essa Ítaca
De verde eternidade e não prodígios.

Também é como o rio interminável
Que passa e fica e é cristal dum mesmo
Heraclito inconstante, que é o mesmo
E é outro, como o rio interminável.



BORGES, Jorge Luís, Poemas Escolhidos, Publicações Dom Quixote, Edição bilingue, selecção feita pelo autor, tradução de Ruy Belo, Lisboa, 2003, pp 63 e 65.

quarta-feira, junho 28, 2006

Nova Sede da Fundação Iberê Camargo

Brasil
Siza vieira



Depois de ver este projecto na Bienal de Veneza de 2002, com o prémio "Leão de Ouro", aguardava ansiosamente as primeiras imagens desta obra.

Aqui fica o link onde poderão ver estas e mais imagens, respectivas às várias fases da sua construção.



segunda-feira, junho 26, 2006

Sobre o filme "Klimt"

Numa Viena onde a procura de Beleza torna-se uma procura do útil, Klimt continua à procura dessa Beleza num rosto de uma mulher, que talvez não exista.

“Klimt”, é um filme que mistura o sonho e a vida, os corpos nus e os corpos vestidos, e leva-nos a um olhar mais próximo das próprias “alegorias” de Gustav Kimt.

Um pintor que rebate tudo o que capta com o olhar, para um único plano existente no seu interior. Este olhar não tem perspectiva, nem planos, nem deixa cair sobre si a sombra do conhecimento.

Klimt pede água… ele é apenas mais uma flor.

raimundo gomes, 26 I 06 I 2006.


Klimt





Ficha do Filme:

Título original:
Klimt
De: Raoul Ruiz
Com: John Malcovich, Veronica Ferres, Saffron Burrows
Género: Dra
Classificacao: M/12
ALE/Áustria/FRA/GB, 2006, Cores, 97 min.

Argumento:

Paris, 1900. Gustav Klimt é homenageado na Exposição Universal enquanto em Viena é condenado como provocador. Vive a vida como a pinta, os seus modelos são as suas musas. Klimt está à frente do seu tempo. As suas relações apaixonadas com as mulheres e a busca eterna da perfeição e do amor reflectem-se em todas as suas obras. "Klimt", um filme sobre uma das mais notáveis figuras da modernidade europeia, um pintor que foi maior que o seu país e a sua época, é realizado por Raoul Ruiz.

in: "publico.pt"

site oficial




terça-feira, junho 20, 2006



As surpresas que tens perante o mundo, são as partes do teu corpo que passas a conhecer.


raimundo gomes, 20 I 06 I 2006




“Vais olhar para todos os espectadores da sala um por um e cada um por si.
Lembra-te bem disto: a sala é em si só o mundo inteiro como tu o és, tu também. Nunca te esqueças.”

DURAS; Marguerite, Textos Secretos, Quetzal Editores, Lisboa, 1999, p.22.




Caça às borboletas

foto: "Para onde olham os sonhos",
Raimundo Gomes, 2003.




"Caça às borboletas

Antes de eu entrar na escola e sem prejuízo de algumas viagens de verão, íamos todos os anos para casas de veraneio nos arredores. Durante muito tempo, essas estadas foram-me recordadas pela espaçosa caixa na parede do meu quarto de rapaz, onde se viam os começos de uma colecção de borboleta cujos exemplares mais antigos foram caçados no jardim do Brauhausberg. As borboletas-da-couve com os bordos cortados, as borboleta-limão de asas muitos lustrosas, traziam-me à memoria caçadas ardentes que tantas vezes me tinham levado para longe dos caminhos bem arranjados do jardim, para brenhas onde, impotente, enfrentava as conjurações do vento e dos cheios, da folhagem e do sol, que provavelmente orientavam o voo das borboletas. Voam para uma flor, ficavam a pairar por cima dela. Com a rede no ar, eu só esperava que o poder de atracão que a flor parecia exercer sobre o par de asas completasse o seu trabalho; então o frágil corpo deslizava com leves impulsos laterais, para, igualmente imóvel, ir sombrear outra flor e mais uma vez a deixar com a mesma rapidez, sem lhe tocar. Quando uma vanessa ou uma esfinge, que eu facilmente poderia apanhar, me comia as papas na cabeça hesitando, desviando-se, esperando, eu bem gostaria de me dissolver em luz e ar para me poder aproximar e dominar a presa. E o desejo realizava-se na medida em que cada batimento ou oscilação das asas, que me fascinava, me tocava com o seu sopro ou me fazia estremecer. Começava a impor-se entre nós a velha lei dos caçadores: quanto mais eu me confundia com o animal em todas as minhas fibras, quanto mais eu me tornava borboleta no meu íntimo, tanto mais aquela borboleta se tornava humana em tudo que fazia, até que finalmente, era como se a sua captura fosse o único preço que me permitia recuperar a minha condição humana. Mas quando tudo acabava era penoso fazer o caminho desde o lugar da caçada feliz até ao acampamento, onde o éter, o algodão, os alfinetes de cabeças coloridas e as pinças apareciam na caixa de herborista. E em que estado ficava o terreno atrás de mim! Ervas partidas, flores pisadas; o próprio caçador empenhara o próprio corpo, deixando-se arrastar pela rede. E no meio de tanta destruição, insensibilidade e violência, a borboleta assustada lá continuava, a tremer e apesar disso graciosa, numa dobra da rede. Enquanto fazia este caminho penoso, o caçador era assaltado pelo espírito daquele que está destinado a morrer: Quanto à língua Estranha em que aquela borboleta e as flores se tinham entendido diante dos seus olhos, agora também ele tinha aprendido das suas leis: A sua ânsia de matar diminuíra na mesma proporção em que a sua confiança aumentara. O ar em que aquela borboleta voltejava está totalmente impregnado de uma palavra que desde decénios não passa pelos ouvidos nem pelos lábios. Conservou aquele lado insondável com que os nomes com que os nomes da infância se apresentam aos adultos. O longo Tempo de silenciamento transfigurou-as: É assim que vibra, no ar cheio de borboletas, a palavra “Brauhausberg”.1 A nossa casa de verão ficava no Bauhausberg, perto de Postdam. Mas o nome perdeu toda a pesadez, já nada contem que se relacione com uma fábrica de cerveja, é quando muito um monte envolvido no azul, e que no verão se erguia para nos receber, a mim e aos meus pais. Por isso Postdam da minha infância se destaca de um ar tão azul que parece que as bruxas e almirantes, olhos-de-pavão e auroras que aí esvoaçavam se espalham sobre um daqueles brilhantes esmaltes de Limoges em que se recortam, sobre fundo azul escuro, as ameias e as muralhas de Jerusalém.

1 – À Letra “Monte da fábrica de cerveja”."


BENJAMIN, Walter, Imagens de Pensamento, Edição Assírio & Alvim, Edição e Tradução de João Barrento, Lisboa, 2004, pp. 80-82.



terça-feira, junho 13, 2006

“Não há nada de especial em não nos orientarmos numa cidade. Mas perdermo-nos numa cidade, como nos perdemos numa floresta, é uma coisa que precisa de se aprender. Os nomes da ruas têm então de falar àquele que por elas deambula como o estalar de ramos secos, e as pequenas vielas no interior da cidade mostrar-lhe a hora dia com tanta clareza como um vale na montanha.”

BENJAMIN, Walter, Imagens de Pensamento, Edição Assírio & Alvim, Edição e Tradução de João Barrento, Lisboa, 2004, p.82.

RETIRO: CORPO - PAISAGEM



UM PROJECTO FARPAS TEATRO

EM COLABORAÇÃO COM ANA MIRA (DANÇA CONTEMPORÂNEA)

E LOURENÇO DE AZEVEDO (CHI KUNG - DA CHENG CHUAN)

as datas: 9, 10 e 11 Junho


os workshops:

Correndo sem retorno, os rios são seres secretíssimos supremamente metamorfoseáveis.

Maria Filomena Molder



Numa forma elevada de contemplação da paisagem, os movimentos surgem com afinidade ao caminhar, ao caminhando. É na indeterminação do lugar onde se quer chegar e na impossibilidade de traçar um limite preciso, que exploramos os movimentos do corpo, também ele metamorfoseável, consoante o areal, o rio, o mar, as dunas, o recouvo.

De manhã a exploração centra-se na escuta do corpo aquando o seu despertar, o chi kung e movimentos desta fase ligam o corpo a si e à paisagem. À tarde a pesquisa desenvolve-se na relação do corpo com o ambiente em diferentes espaços na areia ou no mar. No crepúsculo retornamos ao centro com o Chi Kung.

Chi Kung

Das dinâmicas infinitas que observamos no universo, estas podem ser resumidas a dois movimentos primordiais a expansão e a contracção, nas estações nos dias, nos corpos e em todas as células do nosso ser. Longe de ser uma disciplina teórica o Chi Kung ensina ao corpo a reconhecer estas duas forças opostas mas complementares, pelos caminhos da postura da respiração e da intenção. Passo a passo.

Movimentos

As paisagens são espaços transitórios que se vão objectivando durante a exploração de movimento e uma possível abordagem à composição em dança. Partem de imagens, ou seja, sensações perceptíveis no tempo que surgem na permeável relação corpo-atmosfera. É muito sobre a visão - a visão da pele, da escuta. De certas zonas de intensidade do corpo ou densidade do ar revelam-se movimentos com uma certa duração. Um método-partitura introduz cartografias de aproximação e vivência (nas paisagens), onde se agenciam territórios existenciais habitáveis.


Participantes:

- Carlos (organização, Farpas Teatro)
- João (organização, Farpas Teatro)
- Ana (formação corpo, movimento, dança)
- Lourenço (formação chi kung)
- Luisa
- Vanessa
- Raimundo
- Teresa
- Natacha
- Elena
- Lucia
- Agostin

quinta-feira, junho 08, 2006

"O fenómeno não se afasta do obervador. Pelo contrário, está assimilado e enredado na individualidade do observador."

GOETHE, Máximas e Reflexões, Relógio D'Água, p.130.
“O que é que significa compreender uma imagem, um desenho? Aqui também há compreender e não compreender. E estas expressões podem ter diversos sentidos. A imagem é, talvez, como uma vida-silenciosa (1); mas há uma parte que eu não compreendo: não sou capaz de ver nela um corpo, só vejo manchas de cor na tela. - Ou vejo como sendo corpos mas na verdade são objectos que eu não conheço (parecem ser instrumentos, mas não conheço o seu uso). – mas também talvez conheça os objectos mas não compreenda – a sua disposição.”

WITTGENSTEIN, Ludwing, Tratado Lógico-Filosófico * Investigações Filosóficas, Edição Fundação Calouste Gulbenkian, 3ª Edição, Tradução e Prefácio de M. S. Lourenço, Lisboa, 2002.

HÁ PALAVRAS QUE NOS BEIJAM

HÁ PALAVRAS QUE NOS BEIJAM

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill (1924-1986)
Poesias Completa

terça-feira, junho 06, 2006

Olhar não muda o mundo, apenas faz decobrir quem somos.

raimundo gomes, 06 I 06 I 2006.




quinta-feira, maio 18, 2006

Voar é um abrir de uma porta desconhecida. O chão do presente desparece e o movimento de cair no incerto do futuro, destrói as correntes do passado.

Perdemos o tempo, mas gahamos um espaço.....

raimundo gomes, 18 I 05 I 2006.





terça-feira, abril 25, 2006

"Ninguém sabe se a falta de fim de tudo é por andar sempre para a frente para onde nunca se chega, ou por andar sempre à roda para onde não há onde chegar"

PESSOA, Fernando, A Hora do Diabo, Assírio & Alvim, Lisboa, 1997, p.57.



sábado, abril 22, 2006

"Acerca daquilo de que se não pode falar, tem que se ficar em silêncio."

WITTGENSTEIN, Ludwing
, Tratado Lógico-Filosófico; Investigações Filosóficas, Edição: Findação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2002, p.142.
Fazer silêncio como quem rouba espaço ao tempo.... O tecido das horas rasga-se e decobrimos que só na intimidade é que se consegue ver.

raimundo gomes, 10 I 04 I 2006.



quarta-feira, abril 19, 2006

Qual é o espaço que nos ouve, o preenchido ou o vazio?

raimundo gomes, 19 I 04 I 2006.


domingo, abril 16, 2006

"(...) para desenhar a linha da fronteira do pensamento deveríamos ser capazes de pensar ambos os lados da linha (...)."

WITTGENSTEIN, Ludwing, Tratado Lógico-Filosófico; Investigações Filosóficas, Edição: Findação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2002, p.27.
Não sei se caminho ou se os passos que ouço são daquilo que me rodeia.

Os sentidos têm pernas e às vezes não sei para que servem as pernas do meu corpo.

raimundo gomes, 15 I 04 I 2006.
"Profundidade
Uma ideia profunda é uma ideia ou uma observação que transforma em profundidade a pergunta ou a situação concreta.
Se aasim não fosse, tratar-se-ia de um efeito de ressonância e estaríamos a penetrar no âmbito do literário."

VALÉRY, Paul,
Apontamentos, Arte, Literatura, Política & Outros, editora pregaminho, p.31.



É na sombra que vemos a profundidade dos espaços.

raimundo gomes, 15 I 04 I 2006.

sábado, abril 15, 2006

"Só as pessoas que nada sabem criar acreditam que nada existe."

GOETHE, Máximas e Reflexões.
"Podemos perdoar um homem que faça uma coisa útil desde qua não a admire. A única desculpa para fazer uma coisa inútil é ser objecto de intensa admiração.
Toda a arte é perfeitamente inútil."

WILDE, Oscar, O Retrato de Dorian Gray.